terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Alice no País das Maravilhas



Alice no País das Maravilhas
(Alice In Wonderland, 1951, Direção: Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske)

Clássico-obra-prima da Disney, Alice é uma adaptação brilhante da obra de Lewis Carros, com inúmeras metáforas relcaionadas à inúmeros fatores das condições humanas. Desde o dilema do Coelho Branco às charadas enigmáticas do Gato Mestre (em outras traduções, Gato Risonho), o filme consegue se mostrar totalmente encantador e ágil, ao mesmo tempo em que é nostálgico por natureza. Talvez Alice signifique muito mais coisa do que aparenta, mas isso é uma questão de interpretação, já que o filme em si é mais abstrato do que qualquer outra coisa. A riqueza de personagens, a riqueza da animação, a riqueza das músicas, tudo isso colabora para o excepcional desempenho da obra — mesmo que, de certos pontos de vista, a mesma pareça ultrapassada, já que a dublagem e a aparência são, ambas, fatores consideravelmente antiquados, pelo menos para nossa época, apesar de que as animações da Disney sempre foram impecáveis no aspecto técnico. O que se seguiu (e o que precedeu também), foram uma leva incontável de belíssimos filmes, que talvez tenham encontrado a sua última perfeição na obra-prima Aladdin: dali pra frente, a Disney não conseguiu mais manter o nível de originalidade, tampouco soube contornar esse fator, acabando por depender da Pixar, de fato. Mas Alice no País das Maravilhas ainda é capaz de nos remeter à era de ouro da Disney — mesmo que nem tivéssemos nascido!
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Nascido Para Matar




Nascido Para Matar
(Full Metal Jacket, 1987, Dir.: Stanley Kubrick)
Vou soltar um palavrão aqui: puta que pariu, Kubrick é foda! Ele consegue ser único e original em todos os seus filmes, e em Nascido Para Matar não é diferente. Desde o primeiro instante, ele consegue nos prender na decorrência do filme e nos deixa intensamente aficcionados pelo que estamos visualizando. Ora, o filme segue-se sutilmente no treinamento de novos fuzileiros navais, o primeiro segmento, e depois concentra-se na Guerra do Vietnã em si, o segundo segmento. Sim, Kubrick, em cada plano, mostra que é um exímio diretor, mas em certos momentos do segundo segmento, o interesse pelo filme já não é mais o mesmo. Algumas cenas são cansativas, mesmo sendo, porventura, geniais. Mas, isto é insignificante em certo aspecto, pois o filme é o que a maioria dos filmes de Kubrick são, em sua essência: fodas, no sentido mais puro da palavra. O que ocorre apenas é que o "clímax" dessa foda está presente em Laranja Mecânica (isso de acordo com a maioria, e eu também concordo), e transcendeu todas as barreiras em 2001, a obra máxima do diretor na minha opinião. Outra coisa é uma das citações que existe na capa do DVD: "O melhor filme de guerra já feito". Está longe disso. Certo. É realista e tudo o mais, melhor que Platoon, mas está à anos-luz de Apocalipse Now, esse sim, é o melho filme sobre a Guerra do Vietnã e talvez o melhor filme de guerra já feito. No mais, Nascido Para Matar é muito bom, mas deixa a desejar. E o lance da dualidade do homem também é foda. E Kubrick é um gênio.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Brazil - O Filme


Brazil - O Filme
(Brazil, 1985, Dir.: Terry Gilliam)

É, definitivamentem, um filme à parte. O roteiro, a direção e todo o resto soa de uma maneira singularmente genial - e, como muitos dizem, talvez esta seja a obra-prima máxima de Terry Gilliam. O filme começa distintamente, e assim se segue até o fim, como toda obra de Gilliam, mas aqui há uma diferença cômica, uma diferença perturbadora e, por que não dizer, onírica, já que o desenrolar do filme tem uma grande relação com os sonhos do personagem principal, Sam Lowry. É fácil se lembrar do clima futurístico de Laranja Mecânica aqui, mas os dois filmes possuem diferentes conceitos aonde apenas o cenário é semelhante. Mas Brazil também tem a ver com o direito de escolha, mas vai além disso - quem leu o livro 1984 de Orwell sabe que há uma relação profunda entre filme e livro, mesmo que visualmente, ambos sejam bastante distintos. No seu decorrer, o filme assume certos momentos inspiradíssimos e muitos bem dirigidos: as cenas mais tediosas incluiem-se. No entanto, o grande trunfo de Brazil está em apresentar uma sociedade que tem mais a ver com a nossa atual do que imaginamos; e em segundo plano estão os personagens, originais e bem estruturados - e as atuações são louváveis. O jeitão cômico do personagem central, interpretado por Jonathan Pryce, causa a impressão de uma comédia de humor negro e talvez seja este um dos principais fatores que geram uma sensação perturbadora ao ver-se o filme. Concluindo, é uma obra-prima quase sem defeito nenhum, que faz sentido do começo ao fim, até mesmo nas cenas mais mirabolantes e esquizofrênicas. E o final... bom... é triste e feliz ao mesmo tempo. Grande filme de Gilliam.


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Onde os Fracos Não Tem Vez



Onde os Fracos Não Tem Vez
(No Country for Old Men, 2007, Dir.: Ethan Coen, Joel Coen)
Tá. Vamos pensar. Quando vou ver um filme, inúmeros fatores tendem a me influenciar em certas direções para que eu tire certa conclusão à respeito da obra. É lógico que, em certas ocasiões, tento ao máximo me desprender dessas influências e apreciar a obra em si - e, em síntese, foi isso que fiz com o incrível e peculiarmente não-convencional Onde os Fracos Não Tem Vez. Analisando exclusivamente o filme em questão, sem compará-lo com obras anteriores dos irmãos Coen, é possível perceber algo de inusitado, realista, instigante no modo de dirigir deles: os ângulos de câmera são, de fato, algo que impressiona em muitos momentos. E, é óbvio que, batendo um olho leigo rapidamente, fica complicado perceber algo relevante na direção deles. Então, apesar de importante, a direção não merece, acredito eu, tanta agigantada atenção (a não ser pelo fato de que o filme é deles, feito por eles, então o resultado final está por conta da direção). Em segundo, pode-se ver atuações das mais interessantes do cinema americano - Javier Barden, notável ator espanhol, encarna um assassino excêntrico e o faz de maneira tão brilhante e inesquecível que acaba criando um personagem absurdamente marcante, e, por isso os prêmios que ganhou. Tommy Lee Jones e Josh Brolin são consideráveis em seus papéis, mas estão longe de Barden em termos de atuação. Mas, não que seus personagens sejam inferiores: a individualidade de cada personagem é mais do que essencial para criar a atmosfera de que o filme necessitava para ser o que é. E a parte técnica colabora nisso. Porém, o que mais chama a atenção no filme é a mensagem e o modo como ela foi/é passada. Sim, pois, mais do que tudo, Onde os Fracos Não Tem Vez é um grito dissonântico contra a violência - ou, talvez, a favor de explicar como ela funcionava anos atrás e funciona até hoje. E, daí percebe-se que o ciclo vai se fechando e de uma premissa simples e batida, transcende-se a visão de todo o destino da humanidade. Quando o filme acaba em aberto, a platéia no cinema meio que se revolta, meio que fica indignada, meio que gosta da originalidade, meio que não gosta. Mas, seja o que sentirem, o que acabarm de ver é mais importante do que se imagina, mas é evidente que a maioria ignora isso. E não sei bem se me incluo nesse meio ou não. Por fim, Onde os Fracos Não Tem Vez possui humor negro, possui reviravoltas, possui suspense e tensão. E possui uma não-convencionalidade imprevisível mas óbvia, mas isso cheira mais genial do que parece.

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Southland Tales - O Fim do Mundo



Southland Tales - O Fim do Mundo
(Southland Tales, 2006, Dir.: Richard Kelly)

Estranho, apesar de ter recebido muitas críticas negativas (e consecutivamente, dividido a opinião do público) eu achei que o filme, mesmo com seus furos (são levianos dentro de toda a "zorra" que o filme é) no roteiro e tudo o mais, é uma experiência espetacularmente única, isto devido à louvável capacidade criativa de Kelly. O filme em si tem muitos momentos bagunçados ou desconexos, não que eu goste disso, muito pelo contrário, o que me chamou mesmo a atenção foi a atmosfera reflexiva que o filme consegue ter, isto somado com a impecável direção de Kelly, mas nada que impeça interpretações das mais variadas. A obra é uma crítica que engloba inúmeras outras críticas não só a sociedade americana, mas ao mundo em que vivemos. Tudo isto com um humor satírico fenomenal, pois, convenhamos, juntar The Rock e Justin Timberlake num filme só e gerar algo que valha realmente à pena não é uma tarefa nada fácil. Mas o filme extrapola tudo que imaginamos significar a palavra "cinema" nos dias atuais, e somos assaltados por cenas que podem nos fazer gargalhar de rir e, ao mesmo tempo, sentir ódio, ou medo, ou curiosidade, ou apenas um prazer imenso por estar assistindo algo tão fenomenal. No mais, não só adorei realmente o filme como o considero uma pequena obra-prima, à frente até de Donnie Darko, e não vejo motivos pra críticas tão negativas, mas cada um tem seu gosto, sua opinião, então que assim seja.



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Deixa Ela Entrar




Deixa Ela Entrar
(Låt den rätte komma in, 2008, Dir.: Tomas Alfredson)

Caramba... Caramba! Que filme... Ainda é difícil digerir. Eu que pensei que [REC] era uma das únicas pequenas obra-primas do terror da atualidade, acabei me surpreendendo com um filme consideravelmente superior que, de fato, é uma grande obra-prima. Não que Deixa Ela Entrar seja um terrorzão daqueles, já que é mais enfocado no romancezinho infantil entre Oskar, um menino (que parece uma menina) de doze anos, e Eli, que é a vampirinha da história (e aqui até podemos fazer uma ligação com Crepúsculo, outro recente filme sobre o amor proibido entre vampiros, mas é lógico que, mesmo sem ter assistido, creio que seja impossível que o mesmo chegue aos pés deste). A direção de Alfredson — diretor que, assim como os atores, é quase um estreante — é soberba, mesmo que em alguns momentos, silenciosa demais, mas talvez esta seja mais uma das qualidades do filme: o silêncio, as poucas palavras, o que faz com que o espectador fique a divagar sobre os acontecimentos — e é claro que isso é pouco para demonstrar-mos a inteligência do filme em si. Talvez a principal característica marcante seja o realismo e a inventividade; como pode-se dizer, as cenas são sempre precisas, mostrando o que for preciso para dar a aparência fria que o filme necessita ter. Mas não pára por aí. O romance, por si só, grita a favor de um amor que superaria qualquer coisa: até mesmo lidar com o fato da pessoa amada seja uma assassina, mesmo que por necessidade (vampiros precisam de sangue, saca?). Enfim, Deixa Ela Entrar é uma das mais surpreendentes obras-primas dos últimos tempos, com atuações sutis, direção de cair o queixo e inúmeras cenas inesquecíveis (destaque para uma das cenas finais na piscina... Uau!). Obra-prima, como há tempos eu não via.
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